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RH e TI: parceria facilita trabalho a distância, além de cuidado e relacionamento com profissionais
RH e TI: parceria facilita trabalho a distância, além de cuidado e relacionamento com profissionais

Já não é novidade dizer que a pandemia do novo coronavírus provocou mudanças profundas em nossas vidas e, claro, nas empresas. Mas o que talvez seja relativamente novo, pelo menos para algumas delas, é a parceria que surgiu entre as áreas de RH e TI para driblar as limitações provocadas pelo distanciamento social.

Um dos motivos que impulsionou essa colaboração mais estreita entre os times foi o home office, colocado em prática por muitas organizações como medida de prevenção contra a COVID-19.

Wagner Salles, professor de Gestão de Recursos Humanos da Universidade Veiga de Almeida (UVA), explica que a parceria entre os departamentos de RH e TI já vem acontecendo há algum tempo e apenas se intensificou com a pandemia.

“Desde a virada do século, tivemos o avanço de recursos digitais que formaram a chamada 4ª Revolução Industrial. Com isso, passamos a ter também uma nova nomenclatura chamada de ‘RH 4.0’, que nada mais é do que a aplicação dos recursos digitais aos subsistemas de RH. Esse novo conceito, por si só, já representa essa atual parceria, o que favorece não apenas a melhoria de processos e a melhor tomada de decisão no RH, mas também uma melhor integração da empresa como um todo”.

As primeiras movimentações no Brasil por conta do novo coronavírus começaram em fevereiro deste ano. De lá para cá, muitas empresas continuaram suas atividades com os colaboradores a distância. E para isso, os RHs tiveram de se adequar às novas leis trabalhistas e garantir o cuidado com o profissional, lançando mão de ferramentas e soluções tecnológicas que só foram possíveis de implementar com o apoio da equipe de Tecnologia da Informação.

Porém, mesmo com a retomada gradual da economia e das atividades in loco para algumas organizações, boa parte dos setores viu que o home office pode ser uma solução mais viável, tanto que uma recente pesquisa realizada pela Chusman & Wakefield mostrou que 74% das empresas no Brasil pretendem manter seus colaboradores trabalhando de casa definitivamente.

Portanto, para quem realmente pretende adotar esse modelo de trabalho como parte da cultura organizacional, a relação entre RH e TI se tornará ainda mais importante.

Quais os maiores desafios enfrentados pelas duas áreas durante a pandemia?

Um dos desafios mais comuns da parceria entre RH e TI é dar continuidade aos processos de cuidado e relacionamento com os profissionais, sem deixar que a tecnologia cause impactos no lado humano. Nesse ponto, Salles salienta que a comunicação é o quesito que precisa de maior atenção.

“A comunicação atualmente não depende mais da presença física. A área de TI promove soluções melhores, que estão associadas a processos. Mas, para obtê-las, é preciso conhecer bem sobre o problema a ser solucionado. Ou seja, a resposta a ser dada depende da pergunta que será feita. Em um momento de pandemia, no qual os processos foram alterados à força, é preciso ter muito cuidado para que uma determinada solução não acabe gerando novos problemas.”

Por conta disso, o especialista reforça que a relação entre RH e TI exige um trabalho interdisciplinar. Isto é, o departamento de Tecnologia e Informação precisa conhecer o fluxo de trabalho do setor de Recursos Humanos que, por sua vez, deve compreender os limites da área parceira.

“A tecnologia é um instrumento a serviço do ser humano, e não o inverso. Implementar soluções tecnológicas sem o devido gerenciamento de processos torna o trabalho desumanizado, já que o usuário pode se ver em uma situação na qual o recurso tecnológico não atende ao que ele precisa. Isso impacta em retrabalho, causa desmotivação, esgotamento psíquico e emocional e, de forma mais prática, compromete sua produtividade.  Para a empresa, isso resulta em desperdício de tempo e de recursos”, afirma

Além disso, é preciso pensar em questões como gestão e segurança de dados e confidencialidade das  informações. “Às vésperas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) — que regulamenta uma série de exigências que mexem profundamente com os processos que lidam com dados pessoais (funcionários, dependentes e clientes) — entrar em vigor, esse será mais um desafio para que RH e TI gerenciem os sistemas e a operação dentro dos mais diversos regimes de trabalho”, ressalta o professor.

O que a relação RH e TI trouxe de benefícios para as empresas neste momento de pandemia?

Mas, obviamente, a relação mais estreita do RH e TI trouxe inúmeros benefícios para as empresas de modo geral. Salles salienta que, entre as vantagens dessa parceria, destacam-se:  melhor integração dos processos organizacionais; eficiência nos métodos de trabalho; agilidade na tomada de decisão.

“Os processos, que antes dependiam de uma ação humana mais operacional e rotineira, agora podem ser feitos por recursos tecnológicos, possibilitando um ganho de tempo que promove uma melhor apuração de informações e uma análise mais aprofundada para a tomada de decisão. Com isso, os dados passam a ser mais bem tratados, permitindo ao RH fazer melhores análises e agir de forma mais próxima à realidade das pessoas no ambiente de trabalho””, explica.

O que esperar, futuramente, da parceria RH e TI?

De acordo com o professor de Gestão de Recursos Humanos, a relação entre RH e TI é um processo sem volta. “Institucionalmente, o papel do RH como área estratégica para as empresas ganhará ainda mais destaque. Não são apenas as pessoas, no sentido da qualidade do profissional, mas também a capacidade de organização do trabalho, no que diz respeito a desenhos de cargos, recursos a serem usados e qualidade de vida no trabalho a serem gerenciados. Já no campo humano, será preciso saber lidar com a tecnologia como instrumento a favor das pessoas, e não as tornando escravas dessa solução. O uso imoderado de recursos tecnológicos trouxe problemas significativos para a saúde ocupacional nas últimas duas décadas. Ficará, então, o aprendizado quanto à demanda por responsabilidade social para com o quadro interno, avaliando e implementando recursos tecnológicos que realmente promovam ambientes de trabalho saudáveis”, conclui.

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