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Pandemia ressalta importância de privilegiar saúde e bem-estar do colaborador
Pandemia ressalta importância de privilegiar saúde e bem-estar do colaborador

Desde que a pandemia do novo coronavírus foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas pessoas têm comentado que a humanidade nunca mais será a mesma depois que tudo isso passar. Verdade ou não, o que é possível notar é que o cuidado com a saúde e o bem-estar do colaborador tornou-se um ponto de maior atenção nas empresas. Afinal, diversas medidas foram tomadas não só para evitar a proliferação da COVID-19 em nosso país, mas também para garantir que os profissionais e seus familiares se mantenham saudáveis.

Mas o quanto isso vai afetar as relações entre empresa e funcionários posteriormente? Será possível ter um negócio de sucesso mantendo um relacionamento mais humanizado com os profissionais pós-pandemia?

O impacto do coronavírus na saúde e no bem-estar do colaborador

Desde que o primeiro caso de coronavírus foi confirmado no Brasil, em fevereiro deste ano, o país inteiro ficou em alerta. E na medida que o número de pessoas contaminadas e de mortes aumenta, novas medidas de prevenção são tomadas visando, especialmente, o isolamento social.

Mas entrar em quarentena não causou impactos apenas na vida e na rotina das pessoas, o dia a dia e a lucratividade das empresas também foram afetados. A fim de reduzir os prejuízos e, ao mesmo tempo, priorizar a saúde e o bem-estar dos colaboradores, negócios de diversos segmentos optaram pelo home office.

Porém, como nem todas as funções possibilitam essa flexibilidade, alguns profissionais foram colocados em férias. Já outros se mantiveram em atividade, especialmente os que fazem parte dos chamados serviços essenciais.

O ponto que pode ser destacado aqui é que, independentemente da ação tomada, a saúde e o bem-estar do colaborador ficaram em evidência. Isso porque as medidas ajudam a manter os profissionais saudáveis e, consequentemente, seus familiares também.

Aqui, é fundamental lembrar que o principal ativo de uma empresa é o ser humano. Por isso, quando ele está preservado, todos os envolvidos ganham. Os funcionários produzem mais e melhor, além de se apresentarem mais engajados e comprometidos, especialmente quando notam a preocupação da empresa. Como reflexo, o nível de produtividade aumenta e, por consequência, os lucros do negócio também.

No entanto, será que após a pandemia do novo coronavírus será mantida a conscientização das empresas quanto a importância de privilegiar a saúde e o bem-estar do colaborador?

Como será o cuidado com a saúde e o bem-estar do trabalhador depois do coronavírus?

Até que se tenha uma vacina, as chances de novas ondas de contaminação não estão descartadas. Porém, conforme o número de casos forem diminuindo, a tendência é que as rotinas de todos sejam normalizadas. Com isso, as empresas também devem voltar a atuar da maneira como faziam antes da quarentena. Mas qual será o reflexo que ficará com relação ao cuidado com a saúde e o bem-estar do colaborador?

Wagner Salles, professor de gestão de Recursos Humanos na Universidade Veiga de Almeida, sugere. “Acredito que a expectativa de mudança nos valores evidencie ainda mais as questões de direitos humanos no trabalho. É fato que as pressões sociais sobre as corporações tendem a aumentar. Além disso, a maneira de se relacionar com os trabalhadores vai representar um desafio para empresas que tratam a responsabilidade social corporativa meramente como instrumento de vantagem competitiva. E empresas que, de fato, incorporarem preocupações sociais aos negócios, passarão a modificar os processos de trabalho e não apenas flexibilizar relações para proteger os fatores econômicos.

É preciso ir além do coronavírus

Somada à importância de as empresas encararem a preocupação com a saúde e o bem-estar do colaborador como uma forma de crescimento e de proteção social, é fundamental que esses cuidados se entendam à pandemia do novo coronavírus.

De acordo com Sales, não se pode esquecer que existem várias outras questões a serem consideradas:

Os problemas de saúde ocupacional são muitos desde sempre. Há diversos fatores no trabalho que são geradores de doenças e afastamentos, sobretudo de ordem psicossocial. Assim, a atenção dispensada ao bem-estar e à saúde do colaborador deveria ocorrer há muito tempo. Ou seja, a pandemia pode não ter relação direta com uma possível mudança de posicionamento empresarial. O coronavírus é uma ameaça externa e, por conta disso, as empresas não têm controle sobre a sua ocorrência, mas pode ter sobre os seus impactos. Nesse sentido, podemos ter uma atenção especial quanto aos procedimentos de cuidados para minimizar, senão eliminar, os riscos de contaminação e os efeitos negativos sobre a produtividade. Mas isso acaba sendo uma ação pontual. Precisamos, na verdade, de uma ressignificação da vida humana no trabalho, pensando para além da pandemia sobre os fatores geradores de doença e de mortes provocadas pelos processos e ambientes trabalhistas que fazem parte do nosso cotidiano”, aponta.

O papel do RH no cuidado com o bem-estar e saúde do colaborador pós-pandemia

Considerando que o período de quarentena vem causando prejuízos financeiros em diversos setores, é de se esperar que as empresas busquem soluções para essa questão tão logo essa fase acabe. No entanto, é essencial não deixar de lado a preocupação com a saúde e o bem-estar do colaborador que também passou por essa época conturbada.

Para o especialista, a flexibilização das leis trabalhistas tende a se tornar ainda mais evidente e, possivelmente, muitas decisões estarão nas mãos dos empregadores. Com isso, a responsabilidade social do RH será ainda maior, seja para novas contratações, seja para cuidar dos profissionais que já fazem parte da equipe.

A atenção sobre aspectos de saúde e segurança no trabalho precisarão de mais atenção também, tendo em vista que a contaminação pode desacelerar, mas não cessar. Isso pode impactar em altas taxas de absenteísmo daqui por diante, o que pode elevar os custos gerados pelos afastamentos e com possíveis contratações temporárias”, conclui.

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